Normas de biossegurança garantem a higiene e conforto no nosso trabalho

É de fundamental importância a proteção de nossa saúde enquanto terapeutas e, em especial, à segurança, saúde e conforto dos clientes que atendemos. Devemos conhecer os riscos a que estamos submetidos ao aplicarmos técnicas de massagen, e precisamos utilizar normas específicas para nos prevenirmos desses riscos. De acordo com a professora Janine Ramos, farmacêutica e bioquímica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mestre em Bioteconologia – UFSC, e especialista em Farmácia Magistral pelo Colégio Brasileiro de Estudos Sistêmicos (CBES-PR):

A biossegurança consiste em um conjunto de processos funcionais e operacionais de fundamental importância em serviços de saúde e beleza, não só por abordar medidas de controle de infecções para proteção da equipe de profissionais e usuários dos serviços, mas por ter um papel fundamental na promoção da consciência sanitária na comunidade em que atua, da preservação do meio ambiente, na manipulação e no descarte de resíduos e na redução geral de riscos à saúde e acidentes ocupacionais.” (RAMOS, 2009, p. X)

O gerenciamento dos riscos de acidentes e da propagação de infecções que adotamos são práticas muitas vezes bastante simples. Ou, como comenta a professora Janine: “A implantação da cultura de valorização do homem e da sua qualidade de vida pode ser promovida por meio da prevenção de acidentes e infecções que, a princípio, podem ser reduzidos a partir de condutas relativamente simples, mas que devem ser bem estabelecidas, organizadas e padronizadas.” (RAMOS, 2009, p. X)

GERENCIAMENTO DE RISCOS

Risco e Perigo

Residências organizadas são excelentes laboratórios de Biossegurança. Podemos pensar num exemplo simples ao nos darmos conta de que é perigoso nos cortarmos com um copo de vidro quebrado, ou de que temos o risco de beber água contaminada nos nossos lares. Se mantivermos alguma disciplina, e cultivarmos noções de higiene, sabemos que o risco de nos cortarmos é baixo, porque lavamos os copos com cuidado, os guardamos de forma apropriada, e usualmente orientamos nossas crianças a evitarem de correr pela casa segurando objetos de vidro. Da mesma forma, temos o hábito de utilizar filtros para a água ou o de comprar garrafas de água mineral, evitando tomar água diretamente da torneira. Essa prática cotidiana já é o suficiente para afastar os riscos de contaminação que mencionamos há pouco.

A simplicidade desse exemplo nos mostra que as práticas de Biossegurança permeiam o nosso cotidiano e são um dos sustentáculos da vida social e, especialmente profissional, por causa da natureza especializada no cotidiano de cada profissão. “A observação de cuidados relacionados à biossegurança consiste em diferencial de mercado para […] profissionais, porque assegura a prática correta de suas atividades, minimizando os riscos químicos, físicos, de acidentes, ergonômicos e de contaminação biológica tão comuns às atividades desenvolvidas no ramo.” (RAMOS, p. X)

Tecnicamente, a professora Janine Ramos explica a diferença entre perigo e risco da seguinte forma: Risco é a probabilidade de ocorrer um evento bem definido no espaço e no tempo, que causa dano à saúde, às unidades operacionais, ou dano econômico/financeiro. Já o perigo é a expressão de uma qualidade ambiental que apresente características de possível efeito maléfico para a saúde ou para o meio ambiente.” (RAMOS, p. 1)

Retomando o nosso exemplo “caseiro”, risco seria a probabilidade nos machucarmos com o vidro de um copo quebrado. Perigo, por sua vez é a expressão da fragilidade do vidro, que pode provocar um “efeito maléfico para a saúde” de quem o manuseia, se o mesmo se quebrar, ou para o ambiente, caso esse vidro quebrado ficar exposto no chão e machucar alguém, após depositado no lixo. E há nesse caso, inclusive a iminência do perigo social, se por ventura os trabalhadores que manuseiam o lixo se machucarem ao transportar os sacos plásticos que o acondicionam.

A autora expressa que, no caso da existência de um perigo iminente, o risco nunca será de 0%. Ela afirma, porém, que esse risco é passível de redução para níveis razoáveis. (RAMOS, p. 1) Os riscos são classificados em diferentes tipos e essa hierarquização está presente no trabalho da professora Janine Ramos, ao citar as normativas NR 9 “Programa de Prevenção de Riscos Ambientais” e NR32 “Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde”. Para a escritura desse texto, consultamos diretamente a ambas as normativas, que estão disponíveis no site do Ministério do Trabalho: http://www.mte.gov.br.

Riscos: identificando tipos e procedimentos

Identificamos riscos e procedimentos

Identificamos riscos e procedimentos

As normativas oficiais e a professora Janine Ramos consideram que estamos submetidos aos seguintes tipos de risco (RAMOS, 2009):

  • Biológicos;

  • Físicos;

  • Químicos;

  • Ergonômicos;

  • Acidentes.

Cada tipo traz em si uma série de variáveis que podem provocar o aumento do potencial de risco (Figura 1). Considera-se que os riscos biológicos sejam tudo aquilo que afeta o organismo humano por meio da ação de microorganismos. Podemos elencar os protozoários, as bactérias, os fungos, os vírus e a contaminação de substâncias e objetos por meio destes agentes.

Riscos físicos são os decorrentes da propagação de diferentes tipos de energia nocivas ao organismo humano. Podemos observar a incidência desse tipo de risco em exposições prolongadas a diferentes tipos de som (ruídos, infra e ultra-som), radiações (calor, ionizantes e não-ionizantes), vibrações e pressões anormais. Os riscos químicos, por sua vez, ocorrem em diferentes tipos de intoxicação, como as geradas pela absorção de substâncias tóxicas através da respiração, da pele, da ingestão de gases, vapores, neblinas, e poeiras.

Há os riscos ergonômicos, que a professora Janine Ramos cita em sua obra, e que têm o foco no conforto do trabalhador e daqueles que estão no seu entorno. Pensamos em termos de bem-estar nos âmbitos psicofisiológico, de atividade laboral e dos elementos físicos e organizacionais.

E, por fim, há os riscos de acidentes, que estão além dos riscos físicos, biológicos e químicos, e que podem ocorrer também por causa da associação desses últimos. Geralmente eles ocorrem por causa de arranjo espacial deficitário, por causa de eletricidade, por causa de fogo, seja através de explosões ou incêndio. Os sinistros também estão associados a equipamentos, máquinas, ferramentas e estocagem.

Gerenciando riscos

O gerenciamento dos riscos de saúde e do trabalho é a adoção de programas e controles que visam a monitorar os riscos e a promover ações que mantenham a saúde e integridade física dos trabalhadores. Se o tipo de trabalho envolve o público externo, como é caso dos atendimentos com Massagem, os procedimentos que adotamos no gerenciamento de riscos devem envolver a segurança dessas pessoas, nossos pacientes.

Portanto, para o gerenciamento de riscos, inicialmente, devem ser estabelecidas formas de inspeção nas diferentes unidades do estabelecimento. Após identificados, os riscos devem ser avaliados criteriosamente a fim de que se estabeleçam as medidas preventivas cabíveis para cada caso. A implementação dessas medidas deve ser fixada em um plano de biossegurança elaborado especificamente para cada estabelecimento, seguindo cada etapa. A partir da execução desse plano, os riscos devem ser eliminados, minimizados ou prevenidos.” (RAMOS: 2009, p. 3)

As normativas regulamentadoras da Portaria 3.214 do Ministério do Trabalho e Emprego (Brasil, 1978) preveem a adoção dos programas de controle e sugerem diretrizes para a sua adoção. Para esse trabalho, consultamos apenas as normativas NR 9 e NR 32, que tratam do gerenciamento de riscos, em geral, e da segurança e saúde nos serviços de saúde, respectivamente (WWW.MTE.ORG.BR, 2012).

Uma pesquisa mais completa deve ser feita para podermos abranger um maior número de referências a respeito do tema. Apenas para ilustrarmos essa necessidade, verificamos que o Ministério de Trabalho dispõe a respeito dos riscos ergonômicos em uma normativa exclusiva (NR 17). Se considerarmos a necessidade de oferecermos conforto e segurança aos terapeutas e pacientes, sabendo que os atendimentos na área das Terapias Corporais envolvem o uso de macas e cadeiras de massagem e outros, facilmente observamos a necessidade de investirmos atenção especial a essa normativa.

Riscos Biológicos na prática de Técnicas de Massagem

Para a normativa NR 32 do Ministério do Trabalho, os riscos biológicos estão associados “à exposição ocupacional a agentes biológicos” e complementam que consideram agentes biológicos os microrganismos, geneticamente modificados ou não; as culturas de células; os parasitas; as toxinas e os príons”. (NR 32 – SEGURANÇA: 2011, p. 1)

Para a professora Janine Ramos, tais riscos “abrangem amostras provenientes de seres vivos – bactérias, leveduras, fungos, parasitas – bem como de seres humanos. Em cosmetologia e estética, os riscos biológicos incluem qualquer material contaminado com micro-organismos, como secreções, sangue, anexos cutâneos (pelos, cabelos, unhas, cutículas) e pele não-íntegra.” (RAMOS: 2009, p. 5)

A expósição ocupacional a tais agentes biológicos é semelhante na área da Massagem e na área da Cosmetologia e Estética, área da professora Janine Ramos. No nosso caso, trabalhando com Massagem, o risco de exposição a material contaminado com micro-organismos, como secreções, sangue, anexos cutâneos e pele não-íntegra é bastante reduzido. Ainda assim ele pode ocorrer durante os atendimentos no eventual contato com algum machucado na pele do paciente, e indiretamente no manuseio de lençóis e das toucas ou outros meios protetores do paciente para o contato com a maca, ou com a cadeira de Quick Massage.

Como evidenciamos, é muito raro, mas o risco de contaminação poderia ocorrer até mesmo numa situação em que ambos terapeuta e cliente tenham lesões abertas na pele. O bom senso sugere que o procedimento deve ser evitado num caso semelhante e ambos deveriam adiar a aplicação terapêutica.

Em linhas gerais, para a prevenção de infecções a Organização Mundial da Saúde (OMS), requer as seguintes precauções:

  • um ambiente de trabalho limpo;

  • mãos limpas do terapeuta;

Mãos limpas

Quanto às mãos limpas do terapeuta, a OMS recomenda que elas sejam lavadas de forma apropriada, com as técnicas específicas para esse fim. Em caso de necessidade, por descontinuidade da pele do terapeuta, é necessário o uso de luvas descartáveis e recomenda-se a sua correta esterilização. A higienização das mãos deve ocorrer nas seguintes situações: “quando estiverem sujas, antes e após manusear cada cliente e, eventualmente, entre as atividades realizadas em um mesmo cliente; ao preparar materiais e equipamentos; antes e após realizar atos e funções fisiológicas ou pessoais; antes e após o uso de luvas; antes e após manusear alimentos.” (RAMOS: 2009, p. 105)

O procedimento de higienização das mãos, requer os seguintes passos:

  • Retirar jóias;

  • Abrir a torneira e molhar as mãos, aplicando de 3 ml a 5 ml de sabonete líquido;

  • Ensaboar as mãos, formando espuma, fricionando-as por quinze a trinta segundos, atingindo todas as suas faces […]. A formação de espuma extrai e facilita a eliminação de partículas;

  • Enxaguar, deixando a água penetrar nas unhas e nos espaços interdigitais (mãos em forma de concha). Retirar toda a espuma e os resíduos de sabão, sem deixar respingar água na roupa e no piso;

  • Secar as mãos com papel toalha descartável. Se a torneira for manual, usar o mesmo papel toalha para fechá-la;

  • Desprezar o papel toalha na lixeira sem tocar na borda ou na tampa da mesma;

  • Se recomendado, dependendo do caso, aplicar o agente antisséptico e deixar secar naturalmente. (RAMOS: 2009, p. 103)

     

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BIBLIOGRAFIA

ACUPUNTURA. Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo. São Paulo: Comissão Assessora de Acupuntura – CRF-SP, 2010.

RAMOS, Janine Maria Pereira. Biossegurança em Estabelecimentos de Beleza e Afins. São Paulo: Ateneu, 2009.

GUIDELINES on Basic Training and Safety in Acupuncture. World Health Organization.

NR 9 – PROGRAMA de Prevenção de Riscos Ambientais. Ministério do Trabalho e do Emprego. Brasília: 2011. Disponível em: http://portal.mte.gov.br/data/files/FF8080812BE914E6012BEF1CA0393B27/nr_09_at.pdf

NR 32 – SEGURANÇA e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde. Ministério do Trabalho e do Emprego. Brasília: 2011. Disponível em: http://portal.mte.gov.br/legislacao/normas-regulamentadoras-1.htm

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