Os Pontos Shu das Costas na Acupuntura, por Jason Smith

L0037996 Acumoxa chart: Location of dazhui, feishu and ganshu points


Texto: Jason Smith, 22/02/2019
Tradução: Gil Gosch, 29/3/2019
Original: https://jasonsmithmtc.com/los-puntos-shu-de-la-espalda-en-…/
Foto: Wikimedia Commons


Os 12 Pontos Shu das Costas

Os pontos Shu das costas são doze, um para cada órgão Yin e para cada órgão Yang. Todos estão situados nas costas, zona Yang, ao longo do primeiro ramo descendente do canal da Bexiga. Todos estão a 1,5 cun lateralmente à linha média e na mesma altura que os espaços intervertebrais, isto é, nos espaços entre uma vértebra e outra.

Os pontos Shu das costas e suas correspondências são os seguintes:

B-13 Feishu: Pulmão.

B-14 Jueyinshu: Pericárdio.

B-15 Xinshu: Coração.

B-18 Ganshu: Fígado.

B-20 Pishu: Baço.

B-21 Weishu: Estômago.

B-22 Sanjiaoshu: Triplo Aquecedor.

B-23 Shenshu: Rim.

B-25 Dachangshu: Intestino Grosso.

B-27 Xiaochangshu: Intestino Delgado.

B-28 Pangguangshu: Bexiga.


[…] quando utilizamos os pontos Shu das costas, estamos estimulando diretamente o órgão correspondentes sem fazer isso através do seu canal […]


Uso dos ponts Shu das costas

Os pontos Shu das costas são um tanto diferentes do restante dos pontos de acupuntura do corpo. Na maioria dos pontos do corpo, ao ser puncionados, estamos atuando sobre o Qi (função) do canal respectivo. Esta estimulação se propaga de maneira imediata por todo o canal até chegar ao órgão Yin ou Yang correspondente. Porém, quando utilizamos os pontos Shu das costas, estamos estimulando diretamente o órgão correspondentes sem fazer isso através do seu canal. Isto é, se por exemplo utilizamos B-23 Shenshu para tonificar o Rim, este estímulo vai diretamente ao rim, ao passo que se empregamos R-3 Taixi para isso, fazemos através da propagação do Qi ao longo do canal do Rim.

Significado do seu nome

Shu quer dizer “transportar” e isso é exatamente o que os pontos fazem, transportar o Qi diretamente ao órgão Yin ou Yang correspondente[i].

Localização dos pontos Shu de acupuntura nas costas

Na prática clínica não é sempre fácil localizá-los, já que sua localização exata depende de contarmos bem as vértebras, e isso às vezes pode ser complicado. De fato, grande parte dos terapeutas de medicina chinesa experimentam em algum momento algum tipo de dificuldade para fazê-lo.

Para fazer esta tarefa mais fácil, utilizam-se referências anatômicas e pequenos macetes que nos ajudaram na hora a realizar uma localização correta. As referências principais são as seguintes:

A borda inferior da escápula se encontra no mesmo nível que a sétima vértebra torácica. A espinha da escápula coincide com a terceira vértebra dorsal. A borda inferior da décima segunda costela está no mesmo nível que a segunda vértebra lombar. A borda superior da crista ilíaca se encontra no mesmo nível que a quarta vértebra lombar.[ii].

Em todos os textos de acupuntura, a distância para cada ponto Shu das costas é de 1,5 cun desde a linha média; porém na prática clínica, convém não situar os pontos shu a 1,5 cun desde a linha média, senão no ponto mais elevado da musculatura paravertebral. Esta distância é ligeiramente inferior nas vértebras cervicais, lombares e sacras e algo maior nas vértebras torácicas. Como referência, a borda medial da escápula está a 3 cun de distância da linha média[iii].

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Giovanni Maciocia

Num comunicado pessoal, Giovanni Maciocia explica como deveríamos proceder para localizar os pontos Shu das costas corretamente. Para os pontos próximos à zona superior, utilizamos como referência a sétima vértebra cervical (C7), que é a mais proeminente. Localizamos C7 com o paciente sentado e com a cabeça ligeiramente inclinada para a frente, e situamos nosso dedo indicador sobre a vértebra que pensamos ser C7 e o dedo médio sobre a anterior, isto é C6. Se temos colocado nossos dedos corretamente , ao pedir para o paciente que leve a cabeça para trás, a vértebra C6 desaparecerá, mas a C7 seguirá sendo palpável e visível. Quando tivermos C7 localizada, a vértebra seguinte e a primeira torácica (T1) e já podemos começar a deslizar nosso dedo pela coluna até abaixo para localizar os distintos espaços intervertebrais. O espaço intervertebral por debaixo da T1 corresponde com B11 Dazhu, o ponto Hui de Reunião de Ossos. Nos pontos próximos a zona inferior (zona lombar) há que localizar a borda superior da crista ilíaca que se encontra o espaço compreendido entre a terceira e a quarta vértebra lombar. No espaço entre a segunda vértebra lombar e a terceira e encontramos B23 Shenshu. Nos pontos situados na zona média, isto é B18 Ganshu, B19 Danshu, B20 Pishu e B21 Weishu, para evitar possíveis erros se deve contar duas vezes, uma desde cima e outra desde baixo. Se entre ambas contas chegamos a uma localização errônea, o ponto está mal localizado e deveremos repetir o processo.

Giovanni Maciocia afirma ademais que não podemos utilizar a escápula como referência para localizar os pontos Shu das costas[iv].

Outras formas de localização

Existe também outra maneira de localizar C6, C7 e T1. Com o paciente em decúbito ventral, pediremos que se incline apoiado sobre seus cotovelos de forma a podermos ver de maneira clara a zona do pescoço. O paciente levará sua cabeça para baixo, para que duas vértebras proeminentes se tornem visíveis na zona do pescoço; com toda a probabilidade serão C7 e T1. Situamos o dedo indicador de uma mão sobre T1 e o dedo indicador de outra respectivamente sobre C7 e C6. Depois disso pedimos ao paciente (que ainda permanecerá inclinado apoiado sobre seus cotovelos) que gire sua cabeça da esquerda para a direita e vice-versa. Devido ao fato de estar movendo o pescoço, as vértebras C6 e C7 deveriam mover-se com o pescoço e a vértebra T1 deveria permanecer fixa ou mover-se minimamente. Se o paciente flexiona sua cabeça (isto é que inclina-a para trás), a vértebra C6 desaparece, perdendo assim o contato com ela. Para não perder a referência de C7, situamos um dedo no espaço por baixo desta vértebra e pedimos então ao paciente que volte a deitar-se[v].

Esta mesma fonte propõe localizar T2 e T3 através da ajuda de um lápis ou de uma caneta esferográfica [Bic]. A colocaremos rente à borda superior da espinha da escápula e a continuação dessa linha nos levará ao espaço entre as vértebras T2 e T3. Se o apoiarmos sobre a espinha da escápula, a projeção dessa linha nos levara entre as vértebras T3 e T4[vi].

Para facilitarmos a localização dos pontos e evitar sua perda posterior entre o momento de localização e o de agulhar, é possível marcar os espaços intervertebrais a título de referência com um lápis de olhos já que torna-se muito fácil eliminar posteriormente.

📚 Fontes
[i] Giovanni Maciocia, The Channels Of Acupuncture, Elsevier, 2006, pp. 164-165.
[ii]Alfredo Embid (coordinador), Enciclopedia de Medicina China, Medicinas Complementarias, 1998, p. 25; Claudia Focks, Atlas Of Acupuncture, Churchill Livingstone Elsevier, 2008, pp. 62-63.
[iii] Peter Deadman, Mazin Al-Khafaji & Kevin Baker, A Manual Of Acupuncture, DVD Edition, the Journal of Chinese Medicine, 2009.
[iv] Giovanni Maciocia, comunicación personal, 2011.
[v] 5 London College of Traditional Acupuncture, How to Locate Acupuncture Points, DVD, Silence Speaks, 2007.
[vi] íbid

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